RAÇAS

Terra Nova

AMIGO NAS ÁGUAS

Os balneários, em geral proibidos aos cães, abrem-se na Europa para o Terra Nova e suas qualidades.

Única raça com a característica de salvamento de pessoas incluída no padrão oficial, o Terra Nova, além de inúmeros relatos de atuações heróicas na água, como salva-vidas e em resgates de embarcações e objetos à deriva, vem realizando uma nova proeza na Europa. Com sua comprovada eficiência, está recuperando a presença da espécie canina em um espaço cada vez mais proibido para ela: praias, rios, lagos e piscinas públicas.

A afinidade com a água, para o que demonstra verdadeira obsessão desde filhote, confunde-se com a própria história da raça. Sabe-se que foi desenvolvida na Ilha de Terra Nova (Newfoundland), no Canadá, através de cães que lá chegaram entre os séculos XVI e XVIII, principalmente molossos do Tibet e "spaniels" do tipo Clumber. Esses ancestrais talvez expliquem sua estrutura grande e pesada, típica de um cão montanhês, e a agilidade, na água, própria de cães de caça.

SALVA-VIDAS

Levado à Europa por pescadores de bacalhau, o Terra Nova alcançou grande popularidade na Inglaterra, onde estreou em uma exposição cinófila e participou das primeiras provas aquáticas por volta de 1860. Nesse país, foi fundado em 1886, o "The Newfoundland Club", um dos mais antigos clubes da raça. Sua força e robustez o tornaram usado também como cão de tração, puxando redes de pesca, carros com peixe, leite ou lenha.

No início do século, o Terra Nova já exercia atividades de utilidade pública. A polícia francesa tinha em Paris as Brigadas Fluviais, unidades de salvamento que os empregava, prática adotada também em canais belgas e holandeses. Na Grã-bretanha, eram mantidos por albergues, próximos a rios e lagos, como salva-vidas.

Hoje, há grupos de salvamento auxiliados por Terra Novas nos EUA, Canadá e França, além da Itália, onde em 1990 foi fundada a "Scuola Italiana Cani di Terranova Salvataggio Nautico", sediada em Seriate, Bologna, em ação na Riviera, com o apoio da Proteção Civil e da Capitania dos Portos. Nessa escola, o cão e seu dono realizam um curso prático e teórico, durante seis meses, no qual os instintos do cão são aperfeiçoados às técnicas adotadas, que incluem bóias, lanchas, cordas e helicópteros. Aprovados, um certificado os autoriza a freqüentar os balneários da região. Além do Terra Nova, considerado o mais adequado, freqüentam o curso o Pastor Alemão, o Labrador e o Golden Retriever. Exige-se um minucioso exame veterinário e qualidades inatas, como inteligência, coragem, obediência, docilidade e resistência.

ESTIMA

De caráter sociável, é um bom cão de companhia. Alfonso Farias, proprietário do Klondike’s Kennel, Belo Horizonte-MG, que costuma passear com seus Terra Novas e já o fez em locais públicos de grande movimento, como as ruas de Nova Iorque, ressalta que "é excepcionalmente manso e dócil. Em Paris, onde os cães são aceitos em locais públicos, levei um Terra Nova à Ópera. Deixaram-no entrar, com todo o seu tamanho. Ficou em uma poltrona ao meu lado e comportou-se como qualquer pessoa da platéia, mostrando-se educado e interessado". A relação da raça com a água é mencionada por Patrícia Crevelenti, de São Paulo-SP, dona de um Terra Nova. "Em um passeio ele soltou-se da guia e atirou-se numa fonte. Na praia, fica inquieto com as pessoas na água e não sossega enquanto não as vê ‘a salvo’ ", diz. A raça é considerada exemplar também como guia de cegos, idosos e baby sitter. Tantas qualidades a tornam muito estimada. Tanto que em 1972, a população de Saint John, capital da ilha de Newfoundland, elegeu o Terra Nova símbolo de sua fauna.