RAÇAS

Chihuahua

COMO É CONVIVER COM ELE

O menor cão do mundo é ainda pouco divulgado no Brasil. Mas quem tem um quer outro, dizem os criadores. Veja por quê.

Ter um Chihuahua é desfrutar do convívio com um ser tão pequenino que cabe no bolso de seu paletó e tão envolvente que conquista você por inteiro. Com seu tamanho diminuto – pesa, em geral, de um a dois quilos quando adulto -, é capaz de provocar situações pitorescas. Como esta ocorrida com o marido de Vicentina Cascardi Grasso, do Canil Cielito (São Paulo-SP): "Certo dia, ao retornar do trabalho, meu marido colocou seu paletó em cima do sofá e foi à cozinha. Quando voltou, levou o maior susto. É que a manga do paletó começou a se mexer repentinamente. Adivinhe se não era um dos Chihuahuas que estava lá dentro!".

Alvinho, um dos 60 Chihuahuas do criador Moacir Carlos Simão, do Canil Moliedi (Blumenau-SC), pesa apenas 900g e de vez em quando sai para passear incógnito dentro da camisa de seu dono. "Uma vez fomos a um restaurante. Ninguém percebeu que Alvinho estava comigo. Ele é todo branco e apenas a ponta de seu focinho saía da camisa. Veio a conta. Fiz o cheque. O garçom, para apanha-lo, passou a mão perto de minha camisa. Mas Alvinho estava lá e avançou com tudo, dando o maior susto no homem, que pulou para trás", conta Moacir. Até ao teatro Alvinho já foi, graças a este sistema!

DÓCIL

Há uma imagem falsa de que a raça seja excessivamente "elétrica" ou barulhenta. O Chihuahua é tranqüilo, dócil, pode ficar horas no colo enquanto o dono assiste à televisão, por exemplo. Vicentina conta que seu filho durante anos estudou piano em casa. "Era comum os Chihuahuas ficarem próximos a ele, por horas, sentados, observando com atenção enquanto tocava". Mas quando chega o momento de passear ou brincar o Chihuahua acompanha com entusiasmo. É uma verdadeira extensão do dono, pronto a se submeter a qualquer sacrifício, se for preciso, para ficar com ele. E sempre com um ar de permanente interesse por tudo que o rodeia.

Inteligente, aprende com facilidade. "Sabe muito bem o que pode ou não fazer. Entende o significado das broncas. Os meus Chihuahuas se condicionaram tanto a fazer xixi no jornal que, quando é atirado no quintal, acaba sendo batizado rapidamente", comenta o criador Fred Ziebarth, do Canil Gran Paco (Blumenau-SC). Moacir tem o Leonel, que chega a reconhecer a voz de sua esposa pelo telefone. "Quando ela liga para casa, a gente põe o Leonel no gancho. Ele fica todo ouriçado. Começa a latir feito doido. É como se estivesse falando". Fato idêntico ocorre com Moche Dayan, que pertence a Maria, esposa de Fred.

PRIVILÉGIO

Outro ponto forte da raça é sua capacidade de se comunicar conosco. Fred conta que, no alto verão, seus cães o chamam latindo para o ar condicionado, na intenção de que ele ligue o aparelho. Moacir já criou cães de grande porte, mas se apaixonou pelo Chihuahua. "Eles têm um amor imenso pelo dono e transmitem este amor através da expressão. São quase humanos. É preciso ter um para viver esta experiência difícil de explicar por palavras".

A raça no Brasil está quase extinta. Encontra-se mais o pêlo curto (existe também o pêlo longo). Criar Chihuahuas é, entre outras coisas, um ato de preservacionismo que exige criadores dedicados. O desafio está na reprodução. Para cruzá-los é comum precisar que uma pessoa segure a fêmea e outra ajude o macho. Moacir conta: "Para ajudar um conhecido meu que não conseguia cruzar um casal, faltei ao serviço e viajei 500 km de carro". E no parto pode-se perder a mãe e os filhotes. Ela não faz o trabalho de parto e os filhotes, muito pequenos, tendem a morrer de frio. Passando esta fase difícil, o Chihuahua torna-se muito resistente. O Brasil precisa de mais criadores desta raça. Afinal, além de ser o menor cão do mundo, é certamente um privilégio conviver com ele dentro de casa.